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Acervo Mobiliário Família Rodrigues

Para que possamos descrever o mobiliário pertencente à Família Rodrigues faz-se necessário conhecer um pouco do mobiliário rústico, ou de províncias.

Como primeira e até mesmo principal característica é que mesmo sendo ele muito simples, não há porque ser mal construído ou rudimentar. Mesmo tendo-se conhecimento de que alguns móveis eram característicos de determinadas regiões, sabe-se que marceneiros construíram móveis com diferentes interpretações dos mesmos estilos. Talvez o que atraia até hoje um grande número de colecionadores é que por possuir essa tão diferente interpretação, o mobiliário rústico possui um caráter atemporal.

Outra característica é que eram construídos com madeiras locais e muitas vezes com limitações em se tratando de ferramentas, e até mesmo de materiais para acabamento. Exemplo: substitui-se o azeite de Tung pelo óleo de copaíba; o marfim, pelo chifre de boi etc.

Pretendo contar uma breve história de cada uma das ecas do mobiliário, Vamos lá, viajemos então no tempo.

 

NAMORADEIRA

Na Idade Média sentava-se, comumente, em bancos e as cadeiras eram designadas para uso de pessoas de “poder” familiar e social. Sendo assim, estavam reservadas para o senhor e senhora da casa. Possuíam uma forma de caixa fechadas abaixo do acento e com braço. Em meados do século XVI essa característica já não mais existia. Eram construídas ainda com colagens e revestidas com o mesmo desenho que eram utilizados nas paredes residenciais. Eram ainda muito pesadas.

No começo do século XVII, tornaram-se mais leves, com respaldos mais baixos, porém, até o final desse mesmo século as cadeiras não tiveram tanta importância no conjunto do mobiliário. Somente depois de 1660, isto é, com a restauração da monarquia inglesa, França e Holanda tiveram influência nos desenhos das cadeiras. Nesta fase, além das nogueira ser muito utilizada, já se importava a cana vinda da Malásia.

No começo do século XVIII, estilo Rainha Ana (1725-1755), houve a grande revolução no mobiliário: pernas em forma de jarra; cabriolé (pata de cabra) que derivavam de volta em S e curvas sinuosas. Por volta de 1720 os franceses proibiram a exportação da nogueira e graças à redução de impostos com importação, começaram a utilizar o mogno, vindo das Índias Orientais. Nessa época as cadeiras tiveram algumas modificações como: os pés com rodinhas, mais grossos, terminando com garras e bolas, sendo que a parte superior era mais larga.

Em 1754, aproximadamente, o maior ebanista (marceneiro) do século, Thomas Chippendale (1718-1779) quase revolucionou a construção das cadeiras – entre outras peças do mobiliário -, apresentando-as com o respaldo com tapeçaria, talhada no estilo gótico, Rococó... muitos deles influenciados com o gosto francês. Acredito que os franceses foram os que mais souberam respeitar ou, até mesmo, reverenciar as cadeiras. Eles dispunham as maiores junto às paredes das salas próximas das janelas, sendo que as 3 menores (courant) eram dispostas no centro das salas. As cadeiras faziam parte do conjunto do mobiliário.

Bem, conseguimos chegar à namoradeira. Canapé ou sofá. Ambos descrevem um acento com tapeçaria, encosto e braços. Grande o bastante para que pelo menos duas pessoas possam sentar-se comodamente. Porém, o termo sofá é para peças de maior tamanho e que uma pessoa possa reclinar-se. Portanto, é um canapé. Começou a ser construído na metade do século XVII, com o desenho parecido com o dos bancos com encosto. Um dos estilos que conseguiu manter-se em alta foram os canapés com encosto de cadeira, isto é, consiste em dois ou mais encostos de cadeira, unidos entre si, e com um só acento, em tapeçaria ou palha. As palhas são utilizadas desde o século XVII para a fabricação de tecidos para acentos, encosto e suporte dos braços. Por ser artesanal, desenvolveram-se numerosas variações de trançados. São encontrados desde sofisticadas cadeiras, com desenhos ovalados ou circulares, até as mais populares e rústicas.

O trançado mais popular é o hexagonal. Pois é, a namoradeira é um canapé popular, rústico (madeira original), atemporal, portanto, muito “simpática”. Vejamos suas medidas: de comprimento, 120 cm, de profundidade, 45 cm, de altura, 46 cm, de respaldo, 52 cm e de palha, 108 cm por 32 cm.

Canapé com 120,0 cm de comprimento, por 45,0 de profundidade. Altura do acento de 46 cm e 52,0 cm de respaldo. São três cadeiras unidas em um único corpo. Madeiras torneadas em forma de balaústre. Possui dois braços, também torneados, medindo 45,0 cm por 23,0 cm. As pernas dianteiras (duas) também são torneadas. A palha, original, mede 108,0 por 32,0 cm. Canapé confeccionado em cedro, levemente escurecido com extrato de anilina, na cor castanho diluído em álcool. O acabamento é em cera natural.

A namoradeira que pertenceu à Família Rodrigues mede 120,0 cm por 98,0 cm e foi fabricada por Cia Streiff, de São Bernardo do Campo (SP).

 

ESTANTE LIVRARIA

O termo biblioteca é utilizado para referir-se a um local específico, com as paredes repletas de livros, cadeiras e sofás confortáveis, mesas e escrivaninhas. Poder variar nos estilos, países, etc., mas esses são móveis básicos. Portanto, é de primordial importância que os livros tenham um local específico para estarem recondicionados. Nascem, assim, as estantes ou livrarias. Necessário também se faz lembrar que, apensar desses mobiliário estar destinado a uma área específica da residência, desde o século XVIII até hoje ainda é comum encontrarmos estantes nos dormitórios, salas de refeições, mas algumas eram projetadas exclusivamente para a biblioteca.

Vamos lá, o tempo nos reverte ao início do século XVII... As estantes eram altas, largas, com portas totalmente fechadas, muitas vezes com espelhos. Ao final do mesmo século, por volta de 1690, introduzem-se os cristais na parte superior das portas, permitindo-se, assim, ter os livros à vista. Eram dois corpos, sendo o inferior um pouco maior e com portas fechadas.

Durante todo o século XVIII, houve uma enorme variação do desenho das guias onde são fixados os cristais. Os mais comuns eram cristais de menores tamanhos. No mesmo século, as estantes (prateleiras) se apoiavam em ranhuras feitas nas paredes laterais.

Até então, as livrarias eram encontradas nas residências das pessoas de elevada posição social.

Somente no final do século XIC é que estas se tornaram mais populares, e alguns armários do tipo roupeiros foram transformados em livrarias do século XVIII, incorporando-se a parte inferior fechada e cristal na superior. Além disso, reduziu-se sua profundidade. Nasce, assim, a livraria com um único corpo.

Bem, chegamos à nossa Livraria. É rústica (madeira regional), composta por um único corpo, parte superior das portas com cristal, com remate torneado no estilo dos roupeiros, e a inferior fechada, medindo: 268,0 cm de altura, 108,0 cm de largura e 35,0 cm de profundidade. As portas medem 48,5 cm de largura, 175,0 cm de altura, sendo que os vidros 42,0 cm por 39,0 cm. A parte fechada, 67,5 cm por 38,0 cm e o remate superior 30,0 cm por 15,5 cm. As duas partes recebem acabamento de tipo moldura em meia cana. As molduras inferiores foram colocadas posteriormente, exatamente no estilo Shaker. As superiores (cornisa) são do tipo gola, com algumas modificações. Recebe também um acabamento supérfluo que é uma galeria com três alturas, com remates também torneados nos cantos, dando ao móvel uma certa imponência. A livraria recebe um acabamento em óleo de linhaça cru, mais óleo de copaíba e cera natural. Acredita-se ter sido construída no Arsenal de Guerra de Mato Grosso.

 

MESA RETANGULAR

Nosso próximo móvel mantém uma ligação com nossa viagem anterior. Vamos recordar que uma mesa também faz parte do mobiliário de uma biblioteca, por isso esta é nossa próxima parada. Devemos salientar que durante o processo de restauração, nos deparamos com algumas marcas de lápis e caneta, na parte interior do tampo da mesa retangular, o que nos levou a deduzir que esta compunha o mobiliário da biblioteca.

As primeiras mesas, que eram destinadas às refeições, surgiram na Idade Média. Consistia de grandes tábuas de madeira colocadas sobre cavaletes, podendo ser transportadas para qualquer outro local da casa. Nessa época, todos os membros da casa, inclusive os empregados, tomavam as refeições juntos.

Em meados do século XVI os patrões e seus familiares já tomavam as refeições de outra dependência da casa. Surge, aí, a mesa mais permanente. Eram conhecidas por mesas para refeitório. Por ser um dos elementos mais importantes do mobiliário e principalmente da vida diária, sempre foram encontradas desde as casas mais imponentes até as mais simples e com incontáveis variações. Dentre essas variações, nascem as mesas extensíveis, que perduram até hoje.

As mais populares, da Era Vitoriana (1835-1880) é a de tábuas deslizantes. As duas metades da mesa, quando se esticam e se separam, permitem que uma madeira adicional se coloque no centro. As maiores possuem um par de pernas central que sustentam e suportam o tempo estendido. As pernas torneadas têm a parte superior quadrada, que se une aos costados da mesa (costados são as madeiras que sustentam o tampo de uma mesa) através de “espigas” de encaixe.

Pois é, nossa mesa de refeitório, utilizada na biblioteca, se encaixa bem aí. Suas medidas são: 133,0 cm de comprimento, por 86,0 cm de largura, 74,5 de altura, 5,5 cm de 5

altura das rodinhas e 2,2 cm de espessura. Possui tábuas adicionais de aumento, que medem 47,0 cm por 39,0 cm. O tampo em cedro e os pés em louro. O tampo consiste em três pranchas, sendo que as duas externas, que são fixas, medem 47,0 cm cada, sendo uma delas já pertencente à parte extensível, medindo 39,0 cm. A estrutura propriamente dita da mesa consiste em quatro pés fixados, com espigas, nos costados e que sustentam o tampo. Por ser extensível, possui ainda mais dois pés na parte central. Estes estão torneados com anéis e possuem rodinhas. A mesa recebe acabamento a óleo de linhaça, óleo de copaíba e cera natural. Acredita-se ter sido construída no Arsenal de Guerra de Mato Grosso.

 

OUTRAS ESTANTES LIVRARIAS

Parece uma viagem no tempo que nunca termina. Um assunto sempre nos remete a outro, portanto, vamos...

Sabemos já que desde o século XVII podia-se encontrar estantes para livros em outras dependências de uma residência, e como não se afastavam dos livros, Firmo e Dunga Rodrigues também as possuíam.

Viajemos, então, ao século XVIII, quando uma seita religiosa, que defendia o celibato e também que o homem deveria viver com simplicidade, saiu da Inglaterra, no ano de 1770, com oito discípulos, para a América. Refiro-me aos Shaker. Eram auto-suficientes, sendo assim, seus membros faziam praticamente tudo de que necessitavam. Em 1820, eram 18 comunidades espalhadas pelos Estados Unidos da América do Norte. Dentro da marcenaria, a principal característica é que o aspecto ou forma o móvel já definia sua função, isto é, cada pela tinha sua própria finalidade. Eram construídos com madeiras locais, sem nenhuma influência européia. Não possuíam nenhum tipo de detalhe. Eram, nessa medida, simples como o que eles pregavam. Pois é, a seita desapareceu, porém sua tradição cultural, através do mobiliário, continua, acredito, por serem eles construídos com madeira local, caráter prático e duradouro e, acima de tudo, muito simples. Encaixam-se aí as outras duas estantes.

A estante menor, confeccionada em cedro, mede 120,0 cm de altura por 80,0 cm de largura, tendo de profundidade 25,0 cm.

A estante maior, por ser confeccionada em madeira regional – imbuia – provavelmente chegou a Mato Grosso vinda da região sul do Brasil, visto que possui selos – impostos pagos pelo transporte do mobiliário. Possui linhas retas, simples como os móveis Shakers, porém pertence a Arte Nova, corrente que surge com o desejo de combater o passado. A arte acompanha o compasso do progresso técnico e científico, característico do desenvolvimento industrial. Confeccionada em imbuia, mede 149,0 cm de altura por 142,0 de comprimento, sendo a sua profundidade de 35,0 cm.

 

MESA OVAL

Confeccionada em imbuia, mede 142,0-108,0 cm de comprimento por 78,0 cm de altura, sendo que com o pé mede 85,0 cm de altura. Confeccionada com uma coluna torneada central, sustentada sobre uma base de quatro pés unidos à mesa por um sistema macho-fêmea, ou mosca e cola. Sobre aa coluna encontra-se o tampo redondo, sustentado sobre barras deslizantes e abaixo deste o tampo extensível que, quando necessário, encaixa-se, aumentando, assim, o comprimento da mesa. A madeira utilizada, imbuia, se apresenta maciça na coluna e pés, sendo que o tampo é em madeira compensada, com acabamento em folha da mesma madeira.

 

GUARDA-LOUÇAS

Confeccionado em Ipê amarelo, mede 171,0 cm de altura, por 75,0 de largura e 36,0 cm de profundidade. Como fez bem a todos os nossos sentidos poder admirar um móvel confeccionado artesanalmente. Este, especificamente, foi construído em Ipê amarelo, num único corpo, sendo que a parte frontal e lateral adornado com vidros, como uma cristaleira. Possui remate superior semelhante ao de um guarda-roupa, possuindo uma única gaveta com dois puxadores na parte inferior, e várias prateleiras. Uma estante muito simples e bem feita. Encaixa-se, portanto, na categoria do mobiliário rústico.

 

BAÚ

Estando ainda sentada comodamente em nosso canapé, vamos agora abrir o baú de recordações. Viajemos no tempo... O cofre ou arca, de forma retangular, é um dos móveis mais antigos que se conhece. Os primeiros, encontrados na Europa, eram construídos em toras cavadas. Somente no século XVIII é que começaram a ser confeccionados com pranchas travadas, sem cola, e em alguns casos reforçados com barras de ferro. No século XV os artesãos europeus desenvolveram novas técnicas de construção: com o tempo, opanelado e as juntas do tipo macho-fêmea. A maioria dos cofres eram portáteis e utilizados para guardar roupas e objetos de valor, com a diferença que os destinados a caixa-forte eram providos de fechaduras.

Mesmo após a aparição das cômodas, os cofres e arcas continuaram em uso para guardar roupas de cama e o enxoval da noiva, compondo, assim, o dote da mesma. No caso específico deste baú, com tampo apanelado, podemos deduzir que esteve destinado a guardar objetos de valor e recordações e essas, sem dúvida, eram muito boas, visto ter sido este baú encapado com tecido de algodão e pintado a mão pela própria Dunga Rodrigues, estampando ao fundo a cor azul adornada com flores coloridas.

Mede 42,0 cm de altura, por 72,0 cm de largura, tendo de profundidade 34,0 cm. Essas boas recordações estão agora sendo interrompidas pelas badaladas do relógio.

 

O RELÓGIO

A história do relógio nos leva a meditar acerca das acomodações e condicionamento dos hábitos do homem, ao lento, mas sistemático evoluir dos magníficos medidores desse “algo” indefinido, que nossos sentidos físicos não nos permitem ver, ouvir, sentir seu perfume, tateá-lo ou perceber seu sabor, não obstante pressentimos que se escola inexorável e irreversivelmente porque está ligado intimamente à vida e, portanto, a nós, através das funções biológicas, “algo” esse imponderável e intangível que o homem convencionou denominar TEMPO!

A fabricação mecanizada do relógio, em alta série, teve início a pouco mais de dois séculos. Até princípios do século XIX, os relógios eram produzidos em quantidade reduzida, dependendo de hábeis artesãos que utilizavam máquinas rudimentares. Para que não nos percamos neste tão precioso tempo, e nessa viagem, vamos nos deter na história dos relógios de pêndulo, como o exemplar legado pela Família Rodrigues.

Este, descoberto ao acaso por Galileu Galilei, em 1582, aos 18 anjos de idade observando a oscilação de um lampadário no interior da catedral de Pisa, e comparando-a aos seus batimentos cardíacos, sendo que ambas obedeciam a tempos iguais. Somente em 1640, já aos 66 anos, e encontrando-se já cego, Galileu concebeu a idéia de aplicação do pêndulo em um relógio para, com ele, regular a sua marcha. Ditou a seu filho e ao aluno Viviani, o método a ser empregado para esse fim, com todas as suas minúcias. Falecidos, pai e filho, Viviani publicou, em 1650, a biografia de seu mestre, sem mencionar o assunto, mas, para sorte da humanidade, em 1650 o holandês Christian Huygens fez a mesma descoberta. No ano de 1657 o relojoeiro Salomão Coster construiu um primeiro relógio pendular, dando nova vida à trajetória da relojoaria monumental.

O tempo, a quarta dimensão, é algo que escola de maneira contínua e irreversível, pois os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos vão se sucedendo e modificando a face das coisas e dos homens, de forma absolutamente inapelável e que foge inteiramente ao controle desse mesmo homem, que tanto conseguiu e que, certamente, conseguirá, mas que se dobra ante sua ação.

Existe, porém, uma porta para que possamos, sempre que desejarmos, nos transportar no tempo. Essa entrada, uma vez aberta, nos remete ao Paraíso, a música. Sim, ela toca o nosso coração, nosso relógio maior. Ela entra pelos ouvidos e mexe com os sentimentos, desperta alegria, saudade e liberta da tristeza e da melancolia. Em alguns minutos uma música especial vale por uma viagem prazerosa, em que podemos romper as fronteiras do tempo e, principalmente, nos entregar às melhores sensações. A música tem ligação direta com todas as impressões que conservamos na alma e que podem ser revividas a qualquer tempo. A música abre nossa gaveta maior, nossa alma.

O relógio que pertenceu à Família Rodrigues – Firmo e Dunga Rodrigues – é de parede, com pêndulo, fabricado no ano de 1919 e da marca Unghans.

 

ORATÓRIOS

Necessário se faz lembrar que durante nossa viagem ainda nos dedicaremos aos oratórios. Estes têm sua origem na Idade Média, como uma capela concebida para o Rei, e, mais tarde, para as famílias mais abastadas até que sua popularização concedeu acesso também ao povo em geral. Revela-se, a partir de então, o desejo de posse de relíquias ou outros objetos de piedade que conferem a seus donos segurança me intimidade com o mundo sagrado. Assim, as imagens pintadas, esculpidas ou xilografadas de santos protetores proliferaram-se. Muitas vezes são guardadas em pequenos altares, buscando-se conferir um ambiente próprio para orações e celebrações.

Esses utensílios religiosos chegam até o Brasil colonial pelas mãos do colonizador português e se espalharam pelas fazendas, senzalas e residências, tornando-se parte do cotidiano brasileiro. São de diversos os tipos de oratórios. Portanto, como o relógio nos deteremos nos específicos. Estes, exclusivamente simples, pequenos armários, pouco decorados, mas que guardam o mesmo sentido de invólucro para o santo de devoção.

A Família Rodrigues legou aos pôsteres dois oratórios, um de tamanho pequeno, confeccionado em linhas retas e sem qualquer detalhe que chame atenção. Em seu interior está uma linda santa de feições lusitanas, de estatura pequena e pintada com cores singelas. Essa imagem, possivelmente datada do século XVII, foi confeccionada em madeira maciça.

O segundo oratório, também confeccionado em mogno, maior do que o primeiro, é trabalhado com detalhes superiores e portas torneadas. Em seu interior, uma imagem de São José, confeccionada em madeira maciça, pintada com cores fortes e, segundo parece, de autoria do artista plástico setecentista e goiano, Veiga Valle. Essa proximidade se deve ao fato de que uma das mãos do citado santo, segurando o manto, apresenta um V entre os dedos das duas extremidades da mão.

Ambas as imagens são raríssimas e preciosas, representando exemplares únicos em Mato Grosso.

 

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Isác Póvoas

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Isác Póvoas

Nasceu em Cuiabá-MT, no dia 4 de janeiro de 1886, descendendo de Pedro Fernandes Póvoas e Galdina Virgínia Póvoas.

Seus primeiros estudos foram cursados em Cuiabá, bacharelando-se em Ciências e Letras pelo Liceu Salesiano São Gonçalo.

Na vida profissional, iniciou carreira como professor interino e depois catedrático de Literatura e Lógica do Liceu Cuiabano, estabelecimento que chegou a dirigir entre os anos de 1916 a 1920, exercendo o mesmo cargo no ano de 1925. Lecionou também na Escola Normal.

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