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Armador de rede é encontrado sob o reboco na Casa Barão

reformaAs obras de recuperação e revitalização dos vários patrimônios históricos e culturais de Mato Grosso estão revelando verdadeiros achados. Uns deles até arqueológicos, outros nem tanto, mas todos trazendo à tona particularidades de cada lugar e hábito de seus antigos habitantes ou freqüentadores. E o caso da Casa Barão de Melgaço, onde residia o ilustre cidadão que deu nome ao espaço e que hoje abriga a Academia Mato-grossense de Letras e o Instituto Histórico de Mato Grosso.

 Além de ter ouvidos, as paredes do velho casarão guardam segredos. Um armador de redes, existente num dos quartos da Casa desde sua construção no final do séc XIX, foi encontrado debaixo do reboco de uma das paredes e será preservado no ambiente como uma das muitas partes originais do patrimônio. Ao que tudo indica, o Barão de Melgaço apreciava uma rede para um simples descanso, fazer a sesta ou passar a noite.

“Nossa equipe realiza um trabalho minucioso de restauração. Cada pequeno detalhe encontrado é preservado e valorizado. A casa foi construída entre 1750 e 1800, de taipa de pilão e adobe. Cada descoberta é importante para conservar a originalidade do patrimônio”, explica Estevão Alves Correia, arquiteto responsável pela restauração da Casa Barão de Melgaço.

Além do armador de rede, um “barrado”, linha de pintura, típica da época da construção da casa, foi encontrado no lugar e será mantido. A casa passa por um processo detalhista de restauração. O piso original, de “mesanela”, se perdeu ao longo do tempo e foi substituído pelo piso hidráulico do início do séc XX, que hoje pode ser recuperado graças a algumas poucas fábricas espalhadas pelo Brasil que ainda o fabricam de forma artesanal e sob encomenda.

O trabalho que esta sendo feito na Casa Barão de Melgaço pretende transformá-la em um centro cultural. A revitalização criará novos banheiros, salas para pesquisa, climatização de todos os ambientes, auditório para 200 pessoas, salão nobre e museu, além de abrigar a Academia Mato-grossense de Letras e Instituto Histórico Mato-grossense.

Sistema de esgoto e escoamento pluvial

Com o crescimento urbano é normal que as casas, principalmente as antigas, preservem o seu nível original em relação a rua, que cresce desproporcionalmente. É o que acontece com o entorno da Casa Barão de Melgaço, onde as calçadas e o asfaltos cresceram mais de 30 centímetros em relação à casa, desde que esta foi construída.

Esse problema faz com que a água da chuva não escoe e invada a casa em situações de chuvas torrenciais.“Para resolver este problema está sendo instalado um sistema de drenagem e captação pluvial, além do sistema de esgoto feito com critérios ambientais, seguindo o projeto aprovado”, explica Estevão.

A casa e o Barão

A arquitetura da Casa Barão era inicialmente dos como a dos casarões senhoriais do século XIX, mas foi gradativamente sendo alterada com o passar dos anos. O arquiteto, professor fundador da Universidade Federal de Mato Grosso e membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, Moacyr Freitas, comenta essas alterações: “O proprietário da Casa Barão de Melgaço, influenciado pelo “modismo europeu”, transformou-a na aparência que hoje a temos. Foram retirados os beirais, que foram trocados pela platibanda. Várias pilastras com caneluras foram distribuídas nas fachadas, destacando as portas e janelas por molduras, frisos e outros desenhos geométricos.”

O nome da casa é uma homenagem à figura erudita de Augusto João Manoel de Leverger, que lá morou 43 anos. Grande intelectual da segunda metade do século XIX, nasceu na França em 1802. Aos 17 anos veio para a América do Sul através da Marinha Francesa para, em 1822, com a independência do Brasil, ingressar na Marinha Brasileira, onde chega ao posto de Almirante de Esquadra.

Somente em 1830 chega a Cuiabá. Iniciou-se em trabalhos de engenharia naval, e construiu um Arsenal da Marinha. Naturalizado brasileiro em 1848, foi nomeado Presidente da Província de Mato Grosso, função que desempenhou por cinco vezes. Por seus feitos militares na Guerra do Paraguai, recebe do Imperador D. Pedro II o título de Barão de Melgaço.

A importância da Casa, tombada pelo Governo do Estado como Patrimônio Histórico Cultural, é inquestionável. Mas ela não é lembrada devido somente ao passado. Detentora de grande material de pesquisa, atende à sociedade como um todo, preservando o conhecimento sobre nosso Estado.

A historiadora e curadora da Casa Barão de Melgaço, Elizabeth Madureira Siqueira, discorre sobre o imóvel:“Nessa perspectiva, o arquivo da Casa Barão de Melgaço é farto de representações, legados e contribuições deixados pelos homens que estiveram direta ou indiretamente ligados à sua história. Composto por coleções documentais riquíssimas e variadas, se encontra hoje parcialmente reinaugurado, informatizado e catalogado”. Esse registro encontra-se no volume 59 da Revista do IHG-MT.

Fonte: Site da Secretaria de Estado de Cultura MT.
Escrito por Protásio Morales.

http://www3.cultura.mt.gov.br/TNX/conteudo.php?pageNum_Pagina=27&sid=54&cid=988&totalRows_Pagina=4173

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Isác Póvoas

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Isác Póvoas

Nasceu em Cuiabá-MT, no dia 4 de janeiro de 1886, descendendo de Pedro Fernandes Póvoas e Galdina Virgínia Póvoas.

Seus primeiros estudos foram cursados em Cuiabá, bacharelando-se em Ciências e Letras pelo Liceu Salesiano São Gonçalo.

Na vida profissional, iniciou carreira como professor interino e depois catedrático de Literatura e Lógica do Liceu Cuiabano, estabelecimento que chegou a dirigir entre os anos de 1916 a 1920, exercendo o mesmo cargo no ano de 1925. Lecionou também na Escola Normal.

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